quarta-feira, 11 de abril de 2007

Catedral de Colônia: uma das construções símbolo da Alemanha

Existem três construções símbolos da Alemanha, conhecidas em todo o mundo, que, na minha opinião, devem constar em qualquer bom roteiro turístico pelo país: Portão de Brandemburgo, em Berlim, o Castelo de Neuschwanstein, no sul da Baviera, e Catedral de Colônia. Por falta de tempo (e dinheiro!), só pude conhecer uma dessas maravilhas arquitetônicas.

Estive pela primeira vez em Colônia, cidade de aproximadamente um milhão de habitantes, no início de novembro de 2006. Desembarquei na noite fria de um sábado na Hauptbahnhof (estação central de trens) da cidade, acompanhado de alguns amigos de pensão. Foi a primeira vez em que estive aos "pés" da famosa Catedral de Colônia.

Como a catedral fica ao lado da estação de trens, era inevitável passar por ela quando eu ia a Colônia. Estive várias vezes na cidade, mas apenas no final de dezembro – já na companhia de minha esposa Eliane – conheci o interior da catedral. Ao custo de dois euros por pessoa, subimos os "infindáveis" degraus de uma das duas torres, cada qual com 157 metros de altura. Como a cidade é plana, as torres são visíveis de qualquer ponto da cidade e, lá de cima, a paisagem é muito bonita, com o rio Reno cortando Colônia de sul a norte.

Os informativos vendidos no interior da igreja – ao preço que o visitante estiver disposto a pagar – relatam que a Catedral de Colônia (em alemão Kölner Dom), uma das mais belas construções em estilo gótico do mundo, levou 632 anos para ser erguida, considerando as interrupções. Foi concluída 1880, tornando-se na época o prédio mais alto do mundo.

São quase sete mil metros quadrados de área construída, que guardam relíquias artísticas e religiosas. A peça mais famosa do interior da catedral é uma reluzente urna de ouro que, segundo a história católica, guardam os restos mortais dos Três Reis Magos: Baltazar, Belchior e Gaspar. Para evitar qualquer depredação, em função do grande número de visitantes – até 20 mil por dia –, os fiéis não podem chegar a menos de 20 metros de distância da urna.

Durante a Segunda Guerra Mundial, um acordo propôs a preservação de construções histórias, entre elas a Catedral de Colônia. Mesmo assim, a igreja acabou sofrendo avarias e a reconstrução das partes danificadas foi finalizada em 1956. Bem conservada, é uma visita que vale cada minuto e centavo gasto.

A saber

As igrejas Luterana, com 32,9% dos fiéis, e a Católica, com 32,3%, são as principais confissões religiosas na Alemanha. Os Estados da Renânia do Norte-Vestfália, no vale do Reno, e da Baviera são de maioria católica. E o maior expoente do catolicismo no país é justamente a imponente Kölner Dom.

Por influência socialista, que dominou o lado oriental do país no pós-guerra – proibindo o ensino religioso nas escolas –, cerca de 25% dos alemães se declaram sem religião ou ateus. Dentre as minorias estão o islamismo, com 4%, seguido pelo judaísmo e o budismo com 0,2% cada. Detalhe, antes do holocausto promovido pelos nazistas, o número de judeus passava de 10%.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Amigos internacionais para toda a vida

Todos os anos, milhares de pessoas partem de países pobres – ou em desenvolvimento – para trabalhar na Europa. Isso faz do Velho Continente um lugar cosmopolita, com gente de várias origens, credos e culturas. E é exatamente essa possibilidade de conhecer pessoas diferentes que mais me fascinou nos quatro meses e meio em que estive na Alemanha.

Para quem gosta dessa “salada de fruta” cultural, Bonn é um prato cheio. A cidade abriga o edifício-sede da ONU (Organização das Nações Unidas) no país. Isso a menos de 50 metros da Deutsche Welle (DW), emissora pública com produção jornalística em mais de 30 idiomas. Resultado: conheci gente de pelos menos 15 países – se não mais! – e brasileiros de vários Estados.

De segunda a sexta, eu almoçava na cantina da DW, um luxo. O prédio foi construído para servir aos deputados federais da Alemanha, que por fim acabaram se transferindo para Berlim e, assim, cedendo lugar a jornalistas. Foi numa dessas refeições que fiz amizade com jovens estagiários da ONU, oriundos da Colômbia, Espanha, Romênia, Turquia, Egito, etc.

Na DW, eu recebia aulas de alemão para melhorar os conhecimentos do idioma, com tudo pago pela emissora. No curso, ministrado somente em língua alemã, conheci pessoas da Índia, Indonésia, Ruanda, Guiné e até do Afeganistão, todos estagiários da empresa, muitos dos quais ainda estão por lá.

Como se não bastasse, morei em um antigo convento (kloster em alemão) multicultural. Hoje em dia, estudantes de várias partes da Alemanha e do mundo moram lá pagando algo em torno de 250 euros por mês – muito barato para os padrões da Alemanha. Meu vizinho de quarto durante os três primeiros meses foi um espanhol de Valência, chamado Vicent. No quarto ao lado morava um mexicano, Santiago, e com ambos consolidei grande amizade.

A Eliane ficou muito amiga de uma polonesa chamada Anna, que estuda e trabalha em Bonn. Lá do kloster, guardamos um carinho especial, ainda, de um médico da Síria chamado Leon (que ama a seleção brasileira), de uma senegalesa estagiária da Renault, Seynabou, e de dois alemães: Tobias, de lado oriental do país (menos rico) e Alex, que viveu um ano no Chile e fala perfeitamente o espanhol.

Aliás, uma curiosidade para encerrar. No Brasil, quando não entendemos o que alguém está dizendo, usamos a típica frase: “parece que está falando grego!”. Pois na Alemanha a mesma frase existe, só que os alemães dizem: “parece que está falando espanhol!”. Moral da história: o tal do Alex era muito respeitado por ser alemão e conseguir falar espanhol.