sexta-feira, 30 de março de 2007

Amigos internacionais para toda a vida

Todos os anos, milhares de pessoas partem de países pobres – ou em desenvolvimento – para trabalhar na Europa. Isso faz do Velho Continente um lugar cosmopolita, com gente de várias origens, credos e culturas. E é exatamente essa possibilidade de conhecer pessoas diferentes que mais me fascinou nos quatro meses e meio em que estive na Alemanha.

Para quem gosta dessa “salada de fruta” cultural, Bonn é um prato cheio. A cidade abriga o edifício-sede da ONU (Organização das Nações Unidas) no país. Isso a menos de 50 metros da Deutsche Welle (DW), emissora pública com produção jornalística em mais de 30 idiomas. Resultado: conheci gente de pelos menos 15 países – se não mais! – e brasileiros de vários Estados.

De segunda a sexta, eu almoçava na cantina da DW, um luxo. O prédio foi construído para servir aos deputados federais da Alemanha, que por fim acabaram se transferindo para Berlim e, assim, cedendo lugar a jornalistas. Foi numa dessas refeições que fiz amizade com jovens estagiários da ONU, oriundos da Colômbia, Espanha, Romênia, Turquia, Egito, etc.

Na DW, eu recebia aulas de alemão para melhorar os conhecimentos do idioma, com tudo pago pela emissora. No curso, ministrado somente em língua alemã, conheci pessoas da Índia, Indonésia, Ruanda, Guiné e até do Afeganistão, todos estagiários da empresa, muitos dos quais ainda estão por lá.

Como se não bastasse, morei em um antigo convento (kloster em alemão) multicultural. Hoje em dia, estudantes de várias partes da Alemanha e do mundo moram lá pagando algo em torno de 250 euros por mês – muito barato para os padrões da Alemanha. Meu vizinho de quarto durante os três primeiros meses foi um espanhol de Valência, chamado Vicent. No quarto ao lado morava um mexicano, Santiago, e com ambos consolidei grande amizade.

A Eliane ficou muito amiga de uma polonesa chamada Anna, que estuda e trabalha em Bonn. Lá do kloster, guardamos um carinho especial, ainda, de um médico da Síria chamado Leon (que ama a seleção brasileira), de uma senegalesa estagiária da Renault, Seynabou, e de dois alemães: Tobias, de lado oriental do país (menos rico) e Alex, que viveu um ano no Chile e fala perfeitamente o espanhol.

Aliás, uma curiosidade para encerrar. No Brasil, quando não entendemos o que alguém está dizendo, usamos a típica frase: “parece que está falando grego!”. Pois na Alemanha a mesma frase existe, só que os alemães dizem: “parece que está falando espanhol!”. Moral da história: o tal do Alex era muito respeitado por ser alemão e conseguir falar espanhol.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Um estágio para não se esquecer jamais

Minha concepção sobre a palavra estágio mudou completamente nos quatro meses em que estive na Deutsche Welle, empresa de comunicação (tevê, rádio e internet) do governo alemão. Antes, ao menos para mim, estágio significava exploração de mão-de-obra barata, sem grandes encargos sociais e impostos a serem pagos por parte do empregador. Pouco antes de ingressar na faculdade de Jornalismo, por exemplo, estagiei por quatro meses em um conhecido jornal de Pato Branco sem qualquer ajuda de custo, nem vale transporte.


Da Deutsche Welle, ganhei as passagens (ida e volta) de avião de Curitiba a São Paulo e da capital paulista até Frankfurt, e de lá de trem (o melhor e mais caro) até Bonn. Recebi também aulas de alemão, um seguro saúde e uma importância mensal, pequena mas suficiente para pagar minhas despesas com alimentação, moradia e transporte dentro da cidade. Ainda sobrou para viajar pela Renânia do Norte-Vestfália, o Estado mais populoso da Alemanha. Sobretudo, estarei retornando ao Brasil com uma experiência internacional no currículo e com boas recordações para a vida toda.


Lembro com alegria de cada momento que me conduziu a essa ótima oportunidade em uma empresa de renome internacional, como é a Deutsche Welle. Estudei inglês por cinco anos, depois parti para um curso intensivo de italiano e, por último, iniciei um curso de alemão. Já estava formado em jornalismo, atuando pelo Jornal de Beltrão em Dois Vizinhos, quando percebi que era o momento de buscar a sonhada experiência internacional, tão importante no jornalismo. Com a ajuda da internet, passei meses pesquisando oportunidades profissionais para jornalistas brasileiros no exterior até encontrar, meio por acaso, o programa de estágio da Deutsche Welle.


Eu já conhecia a empresa, que transmite sua programação televisiva nos canais internacionais da Sky (tevê por assinatura). Quando soube que a emissora alemã também possuía uma página na internet, inclusive com notícias em português, enviei um email pedindo informações sobre a possibilidade de estágio – crente de que havia uma uma redação da empresa instalada em São Paulo. Descobri, então, o programa de estágio da DW-WORLD, departamento da Deutsche Welle que produz o jornalismo online a partir de Bonn, ex-capital da Alemanha. Após um contato inicial com a chefe da redação online em língua portuguesa, Laís Kalka, comecei a preparar minha inscrição.


Enviei currículo (com versão em inglês), cartas de recomendação, carta de apresentação demonstrando o porquê de meu interesse, um portfólio com cópias de meus textos publicados no Jornal de Beltrão. O apoio do diretor de redação do JdeB, Ivo Pegoraro, foi de suma importância. Após demonstrar meu interesse e preecher os pré-requisitos, meses depois recebi a notícia de que eu estava escalado para estagiar na DW-WORLD, a princípio de agosto a outubro de 2006. A data do estágio foi alterada e não sei quais foram os motivos, mas ganhei um mês a mais. De 2 de outubro de 2006 a 31 de janeiro de 2007 tive a oportunidade profissional mais significativa de minha jovem carreira de jornalista, um aprendizado para não esquecer jamais. Hoje, felizmente, tenho uma outra concepção sobre estágio.


Legenda: no dia do Advento, a redação de língua portuguesa parou para comemorar e comer